quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Sobre como dizer uma mentira política com uma verdade matemática.




Podemos observar a partir deste gráfico, elaborado com dados do IPEA - Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas, que em 1993, um ano antes do Plano Real, mais de 1/3 da população brasileira vivia abaixo da linha de pobreza. Ou seja, um em cada três brasileiros vivia com menos de US$ 2,00 por dia.

Depois de 10 anos de economia estabilizada, em 2003, a quantidade de brasileiros que vivia com apenas US$ 2,00 por dia permaneceu praticamente a mesma, cerca de 60.000.000 de habitantes. Enquanto isso, a população cresceu a uma taxa acumulada de aproximadamente 15% nestes 10 anos. Neste período a pobreza não diminuiu, apenas deixou de crescer nas mesmas proporções que a população, por conta da estabilidade econômica. Apesar de não ter havido nenhuma melhora no indicador em termos de números absolutos – ou seja, a quantidade de brasileiros pobres praticamente não se alterou no período – o crescimento da população permitiu que se considerasse ligeira melhora relativa, em termos percentuais, da situação de pobreza da população brasileira, pois a proporção de pobres em relação ao total da população diminuiu, apesar da quantidade de pobres ter permanecido praticamente a mesma. Ou seja, a proporção de pobres no Brasil diminuiu de fato - pois a população aumentou - no entanto, o governo brasileiro, nesse período, não tirou praticamente ninguém da situação de pobreza.
Aí está portanto uma verdade matemática que, dependendo como for utilizada, pode justificar uma mentira política.

Podemos observar também que, a partir de 2003 – início da era PT - a quantidade de brasileiros que viviam abaixo da linha de pobreza foi  diminuindo a cada ano e, depois de cerca de 10 anos (em 2012, ainda com um governo com a mesma orientação política) o número de brasileiros que viviam com menos de US$ 2,00 por dia caiu a quase a metade do número que havia há 20 anos, em 1993, sendo que a proporção de pobres caiu de 1/3 (30%) para 1/6 (15%) da população.
Esse dado torna-se mais significativo ao se considerar que a população brasileira cresceu, nesse período de 20 anos, cerca de 30%. Ou seja, a população cresceu a uma taxa acumulada de cerca de 15% neste período de 10 anos enquanto cerca de 20.000.000 de brasileiros foram saindo da situação de pobreza.

A notícia - amplamente divulgada - do "resgate" de milhões de brasileiros da situação de pobreza é, evidentemente, importantíssima. Mas também é muito importante a notícia - quase esquecida - de que hoje existem poucos brasileiros ainda nesta condição de pobreza, se compararmos esta breve década aos cinco séculos anteriores da história deste país.       
Em cinco séculos, os grupos políticos que governaram o Brasil construíram uma sociedade na qual 1/3 da população se manteve na pobreza. Na última década – um pouco mais – os grupos políticos que governam o país democraticamente (eleitos, reeleitos, e eleitos e reeleitos novamente) conseguiram arrancar da situação de pobreza mais de 20.000.000 de brasileiros, diminuindo o número de pobres para menos da metade do que havia herdado dos antigos proprietários da nação, alterando assim a proporção de pobres neste país, de 1/3 (mais de 30%) para 1/6 (menos de 15%) da população brasileira.
Óbviamente que isso é, para aqueles grupos que mantinham secularmente a população em penúria, absolutamente insuportável !

Por conta disso, a oposição fica esbravejando - pela boca de seus marionetes, a maior parte da classe média, que se pauta pelo jornalismo marrom de subúrbio – palavras de ordem vazias, antidemocráticas e até mesmo criminosas. São aberrações amorais, aéticas, fascistas e criminosas, que vão desde o “Fora Dilma! Fora PT!” até “Dilma! Por que não te mataram em 64?”, passando por “Somos todos Cunha”! (claro que essa, antes do escândalo suíço) e agora,  reformulada, com “Cunha é corrupto, mas está do nosso lado!” (essa é demais hein?); além da clássica estupidez “S.O.S. militares!”.

Essa oposição vazia, de pauta única, sem agenda de governo e que busca apenas o poder pelo poder, tenta de qualquer forma dar um golpe de Estado, travestido de impeachment, em uma presidenta eleita democraticamente em eleições legítimas, sob alegação de corrupção.
Essa patética “ação nacional de reintegração de posse” (não me lembro onde eu li isso, mas achei fantástico!) é até o momento injustificada, tanto pelo fato de que não se comprovou nada contra a Presidenta, quanto pela condição de imundícia das mãos daqueles que a acusam - mais sujas do que “pau de galinheiro” como dizia minha avó.  Sujas até na Suíça, diga-se de passagem. Vejam só...

O governo popular das décadas de 00 e 10 do século XXI certamente entrará para os livros de história do Brasil das próximas gerações como aquele que promoveu uma verdadeira revolução na política e na sociedade brasileira, instituindo a transparência da coisa pública, a independência do judiciário e da polícia federal e com isso, o início (ainda que lento e não sem resistência) asfixiamento do nepotismo, do clientelismo de varejo, do peculato e da corrupção ativa e passiva e do patrimonialismo nas relações entre governo e sociedade, entre o público e o privado. Um governo que, além de promover uma verdadeira revolução nas estruturas classistas deste país, levou megaempresários -  pela primeira vez na história - para a cadeia, por causa de corrupção; um governo que não fez malabarismos como fez todos os anteriores (quem aí se lembra do "engavetador da República" Geraldo Brindero) para impedir que alguns de seus principais e históricos quadros fossem presos por corrupção; um governo que cortou na própria carne diversos tumores contaminados pelos resquícios corruptos dos padrões de poder e administração da coisa pública da velha política clientelista, coronelista e patrimonialista que caracterizam a coisa pública no Brasil, desde sempre.   

Erros foram cometidos, é claro. Os tumores ainda não foram todos extirpados. Há metástase, como todo câncer maligno. Mas o mais importante é que – diferentemente de outras épocas -  quem se corrompeu está sendo investigado e punido. É a aplicação da máxima “Para os amigos, a lei”, numa inversão afirmativa de valores tradicionalmente corrompidos. Pois as instituições foram transformadas. E isso não retrocede. O corpo que sobreviver - e, claro, vai sobreviver - será certamente um corpo mais puro. Mutilado, mas muito mais puro. Comparativamente às punições dos períodos anteriores (as que houveram, é claro), hoje há punições exemplares. Aqueles que hoje apontam poderosamente o dedo - embora não os tenham limpos – são os descontentes com as transformações institucionais que os impedirão, para sempre, de continuar com a histórica farra, nos mesmos moldes. Hoje, membros do governo e megaempresários estão sendo punidos por corrupção. Óbviamente, por ocuparem posições seculares de poder, os contragolpes desses grupos tradicionais de poder ora afetados apresentam força diretamente proporcional ao poder que possuem.

Não pensemos que a luta é igual. Apesar de ser governo, a luta é desigual, pois o inimigo é a quimera empoderada há séculos pelas elites rentistas,  cujas raízes se encontram nas fazendas de café e cana-de-açúcar e. É uma luta injusta, mas gloriosa e necessária. A promoção da transparência e a reconstrução das instituições políticas são conquistas diretas da situação do povo no poder. São da sociedade brasileira. Tal situação jamais havia ocorrido na história deste país – apesar de vários ensaios ao longo da sangrenta epopéia nacional - e, certamente, é  a maior  conquista da sociedade brasileira, até hoje. A história certamente comprovará essa conjectura de blogueiro. Mas certamente não esterei aqui pra ler tais livros. Apesar das "verdades" fabricadas e justificadas por números, dados e até mesmo fatos, a verdade é que o povo, no final das contas - e apesar dos megafones midiáticos marrons - é quem sabe e quem faz a sua própria história. 

Portanto, é preciso estar atento aos simples números, dados, gráficos e tabelas jogados ao vento nas mídias, tanto pelos governos quanto pelas oposições. Geralmente, quando são utilizados de forma pura e simples, sem contextualização ou até mesmo de forma saturada, enchendo os olhos e ouvidos do espectador - que não tem fôlego para raciocinar sobre os mesmos - são falaciosos e servem apenas para justificar e dar um ar científico, racional, exato, imutável, incorruptível às mentiras que expressam, sepultando legitimamente as verdades que escondem.
Cada vez mais comum, essa forma de justificar posições políticas inverídicas a partir de conclusões advindas da análise enviesada de dados estatísticos, exatos, é uma falácia e deveria ser criminalizada.

A matemática e a estatística são ciências fundamentais, nobres e fantásticas e não podem ser usadas com fins espúrios por políticos, economistas, sociólogos e jornalistas parciais, comprometidos criminosamente com uma ou outra esfera de poder.

domingo, 20 de setembro de 2015

A globalização das batatas

             O vídeo "Você nunca mais vai comer batata frita do McDonalds depois de assistir isso" do ativista Michael Pollan é muito interessante pois a discussão não é sobre batatas. 
             O exemplo das batatas fritas do McDonald's é apenas um pretexto para que se discuta o nosso modelo de economia e sociedade, onde as corporações globais não mais apenas disputam mercados, mas criam mercados ao criarem demandas a partir da criação de desejos.
            O desejo pela "batatinha X" ou pelo "tênis Y" ou pelo "carro Z" força a criação da citada "economia de escala com ineficiência", como diz Pollan. 
            A padronização global dos desejos de consumo permite a produção em escala, a redução de custos, a maximização dos lucros e as consequentes concentração de renda e geração de externalidades (ambientais e sociais).
A economia de escala com ineficiência é ineficiente não porque deixa de atingir os objetivos mercadológicos propostos. Ao contrário, sob este ponto de vista, é uma estrutura que garante altos lucros.  
           Esta ineficiência advém do fato de que este tipo de  "eficiência econômica imediatista" é disfuncional, do  ponto de vista sistêmico, ao próprio capitalismo. Considerando que o trabalho humano (ainda) é fundamental no capitalismo e que a qualidade da mão-de-obra depende - como sempre dependeu - da saúde do trabalhador, então a eficiente economia de escala dada por esse insalubre sistema produtivo gera, a médio prazo, a citada ineficiência sistêmica.
          Os sintomas dessa ineficiência já são sentidos, principalmente onde a eficiência econômica (ou seja a alta produtividade) é observada. Veja por exemplo o caso do aumento da obsesidade na população estadunidense. Lá este problema é tão grave que impacta negativamente no sistema de saúde e nas contas públicas. Ou seja, a eficiência econômica provoca um problema de saúde pública que acaba minando os recursos (econômicos) para o sistema de saúde. A eficiência gera ineficiência.  Essa situação coloca Adam Smith, o papa do liberalismo econômico, de cabeça pra baixo. Podemos dizer que os  benefícios privados (os lucros empresariais, no âmbito da microeconomia) geram vícios públicos (a sangria dos recursos públicos, no âmbito da macroeconomia). Essa situação trava os sistemas de saúde norte-americanos, incha a previdência, onera absurdamente as contas públicas, gerando crise econômica e social e impossibilita, em última instância, a própria maximização da exploração do trabalho pelo capital, uma vez que o trabalhador - cada vez mais doente - ainda é, apesar de todos os muros derrubados, o principal objeto da exploração capitalista.
         As grandes corporações são cegas e sedutoras o bastante para fazerem proliferar suas campanhas de marketing global para a padronização dos gostos, da produção, com a consequentemente redução de custos e maximização dos lucros. O mundo corporativo e publicitário segue criando, usando e abusando seus apaixonantes e premiados slogans globais. "I'm loving it" foi lançado pela corporação citada no vídeo na Alemanha, em 2003. O famoso "Just do it" de outra mega corporação, ou ainda o emblemático "Open happiness" de outra gigante global são alguns dos mais belos exemplos desse nosso novo mundo. 
          Enfim, continuemos a seguir nessa contramão histórica, política, social e, como vemos, também econômica, cujo destino final não é outro senão o abismo.
               E ao vencedor - se sobrar algum -as batatas!

Veja o vídeo "Você nunca mais vai comer batata frita do McDonalds depois de assistir isso", com Michael Pollan, em:   https://www.youtube.com/watch?v=rbZBJT358_Y

A vacina da educação libertadora.

 
          Os membros da classe média acreditam que pertencem à uma subclasse burguesa e que, portanto, estão longe da classe operária. Esse é, aliás, o coração da ideologia burguesa. É aquilo que a faz perpetuar-se. Esses cidadãos não admitem, em hipótese, ser identificados como membros da classe operária, como uma parte do proletariado que é bem remunerada, claro, mas ainda assim, classe operária. Os assalariados que ganham bem, tanto faz se são médicos, engenheiros, advogados, ganham bem apenas por uma questão de mercado; ganham bem pelo fato de que a mercadoria que vendem no mercado (ou seja, a sua mão-de-obra qualificada) tem maior valor no mercado de trabalho apenas por ter maior valor agregado do que aquela de seus companheiros de classe menos qualificados, os operários. 
       Os cidadãos que se consideram de classe média não conseguem admitir o fato de que não deixam de ser proletários, apesar de ganharem mais, bem mais em certos casos, que os operários clássicos. O que caracteriza um proletário não é a renda, mas sua condição de não proprietŕio dos bens de produção, ou seja, condição de assalariado, de vendedor de sua força de trabalho, seu único produto. Ora, o que é um indivíduo de classe média senão um operário bem remunerado? Quem tem mais medo de perder o emprego é o indivíduo de classe média, não o de classe baixa. Esse, se perder um, arranja outro, ou vai fazer bico. Agora o empregado de classe média... É isso que mais lhe aflige.
       Dentro da classe burguesa existem óbviamente vários níveis de burgueses, dado pelo tamanho de seu capital, mas todos são burgueses. E dentro do proletariado não é diferente; existem proletários que ganham somente o suficiente para o seu sustento e aqueles que ganham muito. Claro que os primeiros são a esmagadora maioria. Há ainda, e cada vez mais, aqueles que nem proletários são, os marginalizados, os desclassificados, aqueles que estão fora da brincadeira do capitalismo, sobrevivendo da caridade e sendo multiplicados cada vez mais pelo sistema, na proporção da concentração de renda.   
        Portanto, quando a distância que separa os "pobres" dos "de classe média" diminui e aqueles começam a usufruir de alguns dos medíocres privilégios outrora exclusivos aos medianos (como "andar" de avião, "ter" empregada), os "de classe média" percebem sua real condição - ainda que no plano inconsciente - e entram em pânico. A reação irracionl a essa situação conflitante é a ação odienta e odiosa dos chamados reacionários, elite branca burguesa, coxinhas, entre outros apelidos. Aumenta a xenofobia, o preconceito, a miopia política, a venda de ansiolíticos e antidepressivos, a venda de revistas de auto-ajuda do tipo Você S/A, o massacre conservador da mídia,  a competição insana, insalubre e improdutiva presente nos atuais escritórios envidraçados da Berrini, Paulista e adjacêcias, a proliferação de um consumismo que legitima valores de troca para muito além dos valores de uso, como por exempo: R$ 200 por kg de chocolate de uma certa marca, R$ 40 por uma modesta refeição num simples self-service, R$ 11 num ridículo sorvete de palito com creme dito latino, R$ 22 num misto quente gourmet, R$ 4.000 num celular, R$ 15.000 numa festinha do filho num modesto buffet infantil, etc. Tudo isso são indicadores sintomáticos de uma doença contemporânea que se espalha como epidemia e que pode ser diagnosticada como "classimedite crônica".
      Não se sabe se essa doença é congênita ou se é adquirida por contato social.  Aparentemente há um componente herdado - embora em alguns casos isso não se confirma, dada a origem modesta do infectado, o que intriga ainda mais a ciência. Mas certamente o componente social é decisivo para ativar essa síndrome. O que se sabe é que, por enquanto, é uma doença incurável nos organismos infectados. Apesar disso, há um esforço tremendo na busca pelo tratamento desses indivíduos - que são altamente resistentes a qualquer tratamento proposto. O tratamento pode não surtir efeito nos infectados, que ao que parece, estão condenados a sofrer dessa anomalia até o fim de seus dias, mas certamente é a melhor prevenção da ocorrência dessa aberração nas próximas gerações. Esse tratamento é a vacina da educação libertadora.  

domingo, 7 de dezembro de 2014

Colocando o negro em seu devido lugar.



A grande mídia insiste em continuar associando a figura do negro à pobreza e degeneração a partir da criação e disseminação de personagens e roteiros cada vez mais estereotipados. A última empreitada da Globo nesse sentido, o seriado "Sexo & as negas" do "deus nórdico" Miguel Falabella é de um mal gosto que deveria ser criminalizado. A audiência alcançada por um programa dessa natureza - assim como aqueles quadros humorísticos (?!)  imbecilizados e imbecilizantes do programa Zorra Total - só fazem justificar a tese (já comprovada) não da existência apenas de racismo no Brasil, mas a de que todas as relações sociais se dão a partir de uma relação primariamente racista. É o racismo que fornece as bases para todas as demais relações sociais nesse país. O racismo é tão introjetado em nossas representações simbólicas e culturais que há muito transcendeu da categoria ideológica para a categoria de cultura. Já foi ideologia, propagada em obras literárias, artísticas e científicas; hoje é naturalizado, encarado de forma natural, algo que faz parte de nossa cultura. 
Para que comecemos a desconstruir essa perspectiva, foram instituídas as leis 10639/03 e 11645/08 que tratam da inserção no currículo escolar, de conteúdos de história e cultura dos afro-brasileiros e africanos. Essa legislação veio para tirar da zona de conforto o currículo escolar, a escola e os professores. Acostumado a ignorar a importância do negro na sociedade brasileira, agora, por força de lei, o currículo deve incorporar a história e a cultura dos afro-brasileiros e africanos. Deve ser inserida, de forma central em sala de aula, a história e a cultura afro-brasileira e africana na intenção de promover o processo histórico de desconstrução da ideologia eurocêntrica e racista brasileira.  Herança maldita da escravidão nesse país, a ideologia racista está na raiz da absurda desigualdade social que se apresenta nessa nação. Uma desigualdade cuja cor é preta; uma desigualdade que mata quase oito jovens pretos entre dez jovens mortos de forma violenta nesse país. 
Nós, professores, principalmente professores de história e/ou da área de ciências humanas, precisamos lutar para colocar o negro em seu devido lugar na história de nosso país, ou seja, no centro dela, e principalmente, de forma positiva. É impossível continuar pensando o Brasil,  ignorando o negro brasileiro. Mas para ensinar esse conteúdo é preciso primeiro aprendê-lo. É preciso que nos apropriemos de conteúdos - e principalmente de formas de abordagens - os quais fomos sempre educados para negá-los.  Nesse movimento de afirmação de certos conteúdos faz-se necessário a negação de outros, tradicionalmente aceitos e/ou sobrevalorizados há décadas como patrimônio cultural ou tesouro literário. Esse pode até ser um movimento doloroso para muitos, mas é necessário para todos. Ou seja, não podemos por exemplo, continuar utilizando Monteiro Lobato como cânone educativo. Sob esta perspectiva educacional, tanto este autor quanto sua obra estão condenados, devendo ser apresentados de forma contextualizada e crítica. É uma grande mudança de paradigma, embora sem praticamente nenhuma alteração de conteúdo. Deixaremos de atribuir valor positivo à obra de Lobato, negando assim sua tradicional e automática autonomia educativa, ou seja, sem mediação crítica. Daí então passaremos a utilizá-la enquanto objeto de conhecimento, fruto de um contexto sócio-histórico específico e sujeito  à crítica.            
Enfim, que tal mudar, de fato, o ensino em sua escola ? Que tal mudar o Brasil ?



Para auxiliá-lo nessa jornada, seguem links de sites de instituições e os contatos de algumas das principais lideranças do movimento negro em São Paulo identificados com a questão da reestruturação do currículo nestas bases. São companheiros ativos no movimento e extremamente sensíveis à essa proposta educativa; são bastante acessíveis para colaborar na ação educativa local dos professores de ensino básico, em todos os âmbitos, níveis e localidades nessa luta que é de todos os brasileiros.
 
Douglas Belchior (Negro Belchior)
Liderança do movimento na organização das lutas sociais pelos direitos dos pretos - como ele mesmo afirma. É professor de História no ensino básico na SEE.  É colunista da revista Carta Capital e foi professor convidado na disciplina Direitos Sociais e Métodos na pós graduação em Direitos Humanos da Fac. Direito da USP-Lgo.S.Fco. “Contra o genocídio da juventude negra”, propõe o fim da PM-Polícia Militar, no país.
UNEAFRO


Sílvio Almeida
Liderança do movimento na esfera jurídica, na construção e garantia dos direitos referentes às políticas de ação afirmativa dos afrodescendentes brasileiros.
É professor de direito na Univ. Mackenzie – é o 6º prof. negro na história de 138 anos da Universidade Presbiteriana. É Presidente do Instituto Luiz Gama de defesa e construção dos direitos da população negra brasileira. Obs: Luiz gama é um ilustre desconhecido. Segundo Rui Barbosa, foi o maior jurista brasileiro, apesar de nunca ter conseguido um diploma de advogado. Após ter sido liberto, estudou direito de forma autodidata - do lado de fora das salas de aula do Curso de Direito do Largo do São Francisco. Mesmo sem conseguir o diploma, atuou na defesa e libertação de centenas de escravos desde a década de 1860. Foi importante jornalista, poeta e escritor. Reconhecido pelos seus contemporâneos Raul Pompéia e Rui Barbosa como o maior de todos os abolicionistas. Por que não contamos sua história ?
" (...) não sei que grandeza admirava naquele advogado, a receber constantemente em casa um mundo de gente faminta de liberdade, uns escravos humildes, esfarrapados, implorando libertação, como quem pede esmola; outros mostrando as mãos inflamadas e sangrentas das pancadas que lhes dera um bárbaro senhor; outros... inúmeros. E Luís Gama os recebia a todos com a sua aspereza afável e atraente; e a todos satisfazia, praticando as mas angélicas ações, por entre uma saraivada de grossas pilhérias de velho sargento. Toda essa clientela miserável saía satisfeita, levando este uma consolação, aquele uma promessa, outro a liberdade, alguns um conselho fortificante. E Luís Gama fazia tudo: libertava, consolava, dava conselhos, demandava, sacrificava-se, lutava, exauria-se no próprio ardor, como uma candeia ilumi nando à custa da própria vida as trevas do desespero daquele povo de infelizes, sem auferir uma sobra de lucro...E, por essa filosofia, empenhava-se de corpo e alma, fazia-se matar pelo bom...Pobre, muito pobre, deixava para os outros tudo o que lhe vinha das mãos de algum cliente mais abastado." Raul Pompéia, op.cit in www.institutoluizgama.org.br/sobre
f: (11)3929-5878


Ricardo Alexino Ferreira
Liderança do movimento no mundo acadêmico e da rede. É Livre docente na ECA-USP nas linhas de pesquisa Educomunicação e etnomidialogia (a representação midiática do negro na construção da ideologia racista). Frase: “Não abandono a história oficial, mas também não acredito nela”.  No site há excelente material didático, para download gratuito, sobre a história e cultura do povo afro-brasileiro e africano, além de temas ligados à questão racial no Brasil. Dessa forma os professores podem ter acesso fácil e autônomo aos conteúdos para ensinar a temática determinada pela legislação (leis 10639/03 e 11645/08).
NEINB-Núcleo de Estudos Interdisciplinares do Negro Brasileiro


Dennis de Oliveira
Liderança do movimento no mundo acadêmico. É Livrre docente na ECA-USP nas linhas de pesquisa Mudança social e participação política. Coordena o CELACC-Centro de Estudos Latino Americanos de Cultura e Comunicação; é membro do NEINB e do ALTERJOR-Grupo de Pesquisa de Jornalismo Alternativo e Popular. É gestor da DIKAMBA-Consultoria Cultural para divulgação e multiplicação das ações educativas e culturais do movimento.


Antonio Carlos Malachias (Billy)
Liderança do movimento na divulgação das ações e na multiplicação de educadores pelo país. É Pesquisador do NEINB/USP e do Núcleo de Pesquisa em Geografia e Redes de Conhecimento e Saberes Pró-Meridionais da Universidade Federal de Pernambuco-UFPE.
É professor da Fundação Poli Saber. É Consultor do MEC/SECAD para a coordenação e elaboração do Plano Nacional de Implementação das Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afrobrasileira e Áfricana. Desde 2009, assessora a Secretaria Municipal de Educação de São Paulo nas áreas de Formação Continuada, Orientações Currículares e Implementação das Diretrizes Curriculares Nacionais.



sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Footloose




insana é sampa
metrópole in
sanha de amor
inside the trash can
detrás do sentir
aos pés do metrô