quinta-feira, 20 de março de 2014

DIREITA x ESQUERDA: em qual time você joga ?


Nestes tempos confusos, onde vemos de um lado jovens depredando ônibus e portas de bancos e de outro, pais de família clamando por um golpe militar para “restaurar a ordem”, façamos um exercício saudável para aclarar (ou não) nossa posição política. Direita x esquerda: em qual time eu jogo ?      

Esquerda / progressista / revolucionário
Direita / conservador / reacionário
Ideais democráticos, liberdade, igualdade e fraternidade. Privilegia a dimensão política da liberdade e não acredita no liberalismo econômico.
Liberdade econômica acima de tudo, inclusive acima da própria liberdade política (defesa da ditadura em oposição à democracia desde que a liberdade econômica seja garantida)
O ser humano é naturalmente bom (solidário e cooperativo), a sociedade é que o corrompe.
O ser humano é naturalmente mau (egoísta e imutável), “pau que nasce torto nunca se endireita “
+ Educação (+ escolas, + salário aos professores)
+ Punição (+ cadeias, pena de morte, redução da maioridade penal)
Privilegiam o coletivo
Privilegiam o individual
Igualdade (todos devem ter as mesmas oportunidades)
Meritocracia (a cada um segundo sua capacidade e esforço)
Eliminar as desigualdades
Desigualdades são naturais
Guiado mais pelas emoções
Guiado mais pela razão
Cooperação, solidariedade
Competição, mérito
O Estado é o regulador da sociedade
O mercado é o regulador da sociedade
Estado forte
Consumidores e sociedade civil fortes
O Estado deve proteger o pobre e distribuir as riquezas e o poder
O Estado não deve sufocar a livre iniciativa, o empreendedorismo e a busca pela felicidade.  
Mais impostos para mais programas sociais
Menos impostos e menos programas sociais
Mudança
Tradição
Ser é mais que ter (deixar uma herança cultural para os filhos é mais importante que a herança material)
Herança material, propriedade, família (ter, possuir propriedades e as manter na família)
Acredita e pratica os princípios religiosos (caridade, solidariedade) mas não acredita segue formalmente nenhuma religião.
Pratica formalmente uma religião, mas não acredita nos princípios da caridade, solidariedade, cooperação e igualdade.
Drogas: liberar, pois o indivíduo deve ser educado para decidir se usa drogas ou não
Drogas: criminalizar, pois destrói a sociedade.
Armas: proibir, pois não podemos fazer justiça com as próprias mãos, isso é dever do Estado, caso contrário viveremos na barbárie.
Armas: liberar, pois o “cidadão de bem” tem o direito de se defender num Estado ineficiente e com uma polícia corrupta.
Homossexuais: todos são livres para optar sobre sua sexualidade
Homossexuais: aberração da natureza, pecado mortal.
Aborto: a mulher deve ter garantido o direito sobre seu próprio corpo
Aborto: crime igual a um assassinato. Pecado mortal.
Migrantes ou estrangeiros são bem-vindos pois tem direitos iguais além de suprir carências específicas (ex: migrantes nordestinos em SP, médicos cubanos)
Migrantes ou estrangeiros causam problemas para a cidade, superlotação, trânsito, habitação; causam também competição desleal, “roubando” nossos empregos.

Para saber mais (e dar um pouco de risada):

Para saber mais (agora é sério):
BOBBIO, Norberto, Direita e esquerda: razões e significados de uma distinção política, SP, Ed. Unesp, 1995.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

E agora José ?

“Repeti inúmeras vezes que vamos à escola para adquirir habilidades acadêmicas e profissionais, ambas muito importantes. Na década de 1970, quando eu frequentava o segundo grau, se alguém fosse bem-sucedido academicamente, quase imediatamente imaginava-se que esse estudante brilhante se tornaria um médico. Muitas vezes nem se perguntava se o jovem desejava ser médico. Era uma pressuposição. Era a profissão que prometia a maior recompensa financeira. Hoje, os médicos enfrentam dificuldades financeiras que não desejaria a meus piores inimigos: seguradoras controlando os negócios, cuidados de saúde administrados, intervenção governamental e processos por erro médico, para mencionar algumas. E a garotada quer ser estrela do basquete, jogador de golfe como Tiger Woods, gênio da computação, estrela do cinema, roqueiro, rainha de beleza ou corretor de Wall Street. Isso ocorre, simplesmente, porque é aí que estão a fama, o dinheiro e o prestígio. Eis o motivo por que é tão difícil motivar a garotada na escola. Eles sabem que o sucesso profissional já não depende apenas do sucesso acadêmico como em outros tempos.”
KlYOSAKI, Robert T, Pai rico, pai pobre, Ed. Campus, 21ª ed.
(Robert Kiyosaki é PhD em Finanças, New York University,

Professor e Díretor do PDG/IBMEC Business School)


Se nossos jovens não se interessam em aprender, não temos condições de ensinar. Se o estudante não estuda e se não há ensino sem aprendizagem, como é que o professor ensina ? Não ensina pois o aluno não aprende. Ou melhor, seguem ensinando, forçados pelas diversas contingências e violências às quais são submetidos. Mas o aluno segue não aprendendo. Ou melhor, não aprende o que - ou o quanto - deveria aprender, haja visto o péssimo desempenho escolar dos estudantes brasileiros, demonstrado pelos números absolutamente ridículos das avaliações externas. 
Não existe espaço para tantos Tiger Woods, Michael Jacksons, Beyoncés, Messis e até mesmo Bill Gates; casos de "sucesso" individual e elevados a ícones da meritocracia, competição e do próprio capitalismo. Mas... temos que importar médicos e engenheiros para cuidar de nós mesmos em nossa miséria e ignorância. Até mesmo para serem contratados como vendedores de loja nossos jovens egressos do ensino médio encontram dificuldades. A Apple está tentando, há meses e sem sucesso, preencher as inúmeras vagas para poder inaugurar sua Apple store no Rio de Janeiro, ainda antes da Copa. Já está tudo pronto, só faltam os profissionais. E não consegue preencher as vagas com jovens brasileiros... 
Enquanto isso, a cada ano são despejadas nas ruas, hordas de seres humanos sem o menor preparo profissional, sequer com educação básica. E essa horda está indo para debaixo do tapete, engrossando as filas do desemprego juvenil que já é maior do que o desemprego em qualquer outra faixa etária. Um fato social absurdamente inédito. E esse acúmulo sob o tapete está criando um calombo que, alimentado pela omissão e pelos discursos inócuos, a qualquer momento, invariavelmente, irá provocar o tropeço dos despreocupados transeuntes a caminho do Shopping ou do aeroporto. 

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Competência, ambivalência e modernidade em Bauman

Fichamento: 
MODERNIDADE E AMBIVALÊNCIA 
Zygmunt Bauman
meus comentários em verde.
por Márcio L. Rangon

“A ambivalência, possibilidade de conferir a um objeto ou evento mais de uma categoria, é uma desordem específica da linguagem, uma falha da função normativa (segregadora) que a linguagem deve desempenhar. O principal sintoma de desordem é o agudo desconforto que sentimos quando somos incapazes de ler adequadamente a situação e optar entre ações alternativas.
É por causa da ansiedade que a acompanha e da consequente indecisão que experimentamos a ambivalência como desordem – ou culpamos a língua pela falta de precisão ou a nós mesmos por seu emprego incorreto. E no entanto a ambivalência não é produto da patologia da linguagem ou do discurso. É antes, um aspecto normal da prática linguística. Decorre de uma das principais funções da linguagem: a de nomear e classificar. Seu volume aumenta dependendo da eficiência com que essa função é desempenhada. A ambivalência é, portanto, o alter ego da linguagem e sua companheira permanente – com efeito, sua condição normal.
(...) A mudança produzida no mundo do homem moderno pela ascensão da competência especializada e a irrefreável tecnologização do ambiente humano foi radical e, com toda probabilidade, irreversível.  O mundo humano jamais será novamente como foi antes da ascensão da tecnologia. Se a mudança produz maior felicidade ou miséria mais funda é questão discutível e fadada a continuar a sê-lo. (...) A informação como valor mensurável divorciou-se – e emancipou-se – do  “conteúdo” semântico das declarações. (...) No seu decidido impulso para uma eficiência técnica maior, a competência especializada deve dissolver todas as “totalidades” – pois se concentra, ao contrário, nos seus segmentos acessíveis e controláveis. Essa perpétua tendência da competência especializada adquiriu recentemente uma formidável extensão (e um desvio potencialmente sinistro) com o advento da tecnologia da informação e particularmente das novas totalidades com a interconexão de amplas redes de computadores.  Para o desenvolvimento dessas totalidades, a espantosa especialização entranhada na produção de software, como toda competência técnica, só pode contribuir de maneira parcial. (...) Continuamente, novos fragmentos são acrescentados ao sistema total com pouco (se é que algum) conhecimento do seu impacto no conjunto de programas introduzidos antes. Apesar de (ou por?) ser um produto altamente artificial, feito pelo homem, o sistema computacional desenvolve-se mesmo assim de uma forma espontânea, descontrolada, como que natural, de modo que ninguém é capaz de supervisionar o efeito total. (...) Os maiores sistemas de software crescem de modo descontrolado, cada vez mais incompreensível. Se surge um problema, uma nova peça do programa é escrita num “arranjo” tecnológico imediato, que pode resolver o problema a curto prazo mas cujos efeitos a longo prazo nos programas estabelecidos são desconhecidos e totalmente imprevisíveis. Por isso os maiores sistemas de software evoluem de forma desorganizada, com alguns programadores entendendo fragmentos aqui e acolá, mas ninguém entendendo o sistema como um todo. (...)”
{E essa condição leva à consequência da maximização da flutuação da responsabilidade pelo resultado final da ação.  Todos tem a máxima competência técnica e especializada sobre o produto específico de seu fragmento do conhecimento. No entanto, ninguém tem a competência - e portanto, a responsabilidade objetiva e subjetiva - sobre o produto final do sistema, seus resultados e impactos}.
 “O advento dos sistemas de computador apenas deu novo impulso a uma velha e permanente tendência da especialização tecnicamente orientada – e possibilitou que se desenvolvesse numa escala sem precedentes e até então inconcebível. A competência especializada só é exercida de forma adequada se as consequências sistêmicas do desempenho orientado pelos problemas se perdem de vista ou são deliberadamente postas de lado. (...) Antes da era do computador, eram outros especialistas que lidavam com os efeitos colaterais das práticas especializadas; sempre havia uma pessoa identificável por trás de cada ação. Podia-se discutir interminavelmente o grau efetivo de responsabilidade de cada pessoa e qual das muitas ações interligadas era a causa decisiva de um dado efeito. A discussão podia, porém, ser levada em termos pessoais. Foi essa possibilidade que o advento dos sistemas computacionais simplesmente eliminou. (...)
As instituições socialmente geradas para combater a ambivalência individual tornaram-se os principais mecanismos para manter vivo, reanimar e fortalecer o próprio fenômeno que definiam como a mais sinistra das perdições da vida, o próprio fenômeno cuja eliminação definitiva era declarada como a razão de ser dessas instituições. Elas geram mais ambivalência do que subjugam e desse novo efeito extraem a energia de que precisam para gerar ainda mais ambivalência e a legitimação para continuarem sua ação...
A soma total da ambivalência parece crescer irrefreavelmente. A ambivalência parece medrar dos próprios esforços para destruí-la, tornando cada vez mais distante e nebulosa a perspectiva original de um mundo ordeiro e racionalmente estruturado inscreito num sistema social igualmente ordeiro e racional. A ânsia instruída de escapar à “confusão” do mundo exacerbou a própria condição de que se queria escapar.”
 {A criação de um mundo livre de ambiguidade, fruto do racionalismo, fracassou. No entanto, também não será da ambivalência contemporânea que surgirá uma ordem racional e responsável.}
“ A sociedade moderna parece agora reconciliar-se lentamente à inelutável parcialidade das ordens que é capaz de construir – e assim à ausência de finalidade de qualquer projeto ordenador e à permanência e onipresença da ambivalência. Deve fazer o melhor da condição com a qual não está mais em guerra; para isso, no entanto, teria que renegar sua cruzada contra a ética e os valores “irracionais” em geral.”
         {A flutuação da responsabilidade aliada às externalidades econômicas (que são os efeitos colaterais de uma decisão sistêmica sobre aqueles que não participaram dela, como por exemplo, os impactos ambientais), geram um quadro sombrio onde todos concordam que  tem responsabilidades (culpa) sobre o sistema em geral, mas ninguém sabe realmente o que acontece a partir daquilo que faz, a partir de sua ação (ainda que competente) sobre um fragmento da realidade, embora tem a certeza, dada pela legitimação social de sua competência, de que faz aquele algo melhor do que qualquer um.}


domingo, 23 de setembro de 2012

A mina da arte e do poder

O dono da Microsoft compra curioso esconderijo subterrâneo

para guardar seu riquíssimo acervo fotográfico
adaptado de Revista Época - 07/2004


Bill Gates fundou a empresa Corbis em 1989. Fez acordos com os principais museus e bibliotecas de todo o planeta e começou então a digitalizar e colecionar as imagens do acervo artístico e cultural de toda a história da humanidade. Hoje seu acervo é o maior arquivo do mundo de registros fotográficos da história do homem sobre a Terra.

O homem mais rico do mundo sabe muito bem a importância da preservação da história e da cultura e dentro de pouco tempo um único ser humano terá o monopólio das imagens digitalizadas de todo o acervo histórico, artístico e cultural da humanidade.

As imagens são comercializadas pela internet. Seus 11 milhões de cromos, negativos e papéis amarelados foram levados dos escritórios de Nova York e Seattle (antiga sede da empresa) para a nova sede, muito original.

“Foi um achado. Fica 65 metros abaixo do solo !”, explicou o megaempresário. 
Para reunir e preservar seu milionário lote fotográfico, Gates comprou uma mina de ferro no coração da Pensilvânia, oeste dos Estados Unidos. Batizada de Iron Mountain (Montanha de Ferro). A mina foi explorada pelos americanos durante a Segunda Guerra Mundial e chegou a funcionar como esconderijo. O clima seco e a temperatura amena - cerca de 16 graus Celsius - dos 36 quilômetros de túneis de calcário são ideais para armazenar as fotos. Por semana são escaneadas e tratadas até 100 imagens, a maioria delas inédita e pertencente ao famoso acervo Bettmann, a mais antiga coleção de fotografias do mundo. “É uma corrida contra o tempo. Parte do material já está deteriorada”, disse Steve Davis, presidente da Corbis. Os 1.600 profissionais que trabalham na mina precisam ser rápidos. É comum vê-los atravessar as cavernas a bordo de carrinhos de golfe, o meio de transporte permitido lá dentro, num cenário que prece ter sido inspirado nos filmes de James Bond da década de 60.




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Além de ditador era ladrão de arte

adaptado dehttp://salvoconduto.blogs.sapo.pt/15712.html em Agosto de 2008

Está na Internet, desde sexta-feira passada, no site do museu histórico alemão, a Coleção Linz, a coleção privada de arte de Hitler, que contém cerca de 5000 obras de arte que foram roubadas pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial, na Alemanha e nos países ocupados.

Pela primeira vez é disponibilizado ao público um banco de dados completo sobre a coleção privada do ditador, que durante anos colecionou obras de arte com a idéia de montar um grande museu na cidade de Linz e que antes de Berlim cair foram escondidas numa mina de sal.

Entre as predileções do Führer, destacam-se as pinturas de paisagens idílicas dos velhos professores e do movimento romântico do século 19, assim como obras de autores alemães e austríacos.

No catálogo estão obras de Rembrandt, Rubens, Canaletto, Franz von Stuck, Tintoretto, Brueghel, Cranach e Delacroix, entre outros.
Hitler era um artista frustrado. Violinista e pintor, foi barrado na Escola de Belas Artes e nunca escondeu tal frustração. Sempre foi um grande admirador da arte e possuidor de uma cultura invejável. Apesar de ser um facínora, sabia muito bem o valor da arte, da cultura e da história. O prazer do belo, daquilo que dá sentido à vida e que nos diferencia dos animais. Como se fosse o “Dono do Mundo” (caricaturado por Chaplin no filme homônimo), o grande ditador quis ter a humanidade nas mãos através da posse de todo o seu legado artístico, cultural e histórico.

Ainda bem que perdeu a guerra !

quinta-feira, 30 de julho de 2009

A didática respira !

O papel da didática hoje é o mesmo que foi sempre: deve propor técnicas de ensino aos professores para que se efetive uma adequada aprendizagem dos alunos. É isso que se espera da escola, que os alunos saiam sabendo. Isso não mudou, todos querem isso: pais, professores e alunos, apesar de toda a modernização e relativização do ensino com o advento da universalização, da inclusão e das demais demandas sociais de aprendizagem escolar.
“A didática tem como objeto os processos de ensino e aprendizagem”(...) “Refere-se aos procedimentos de realização do encontro entre o ensinar e o aprender.” OLIVEIRA (2009).
Nesse sentido, é cada vez mais presente, não se esgotou na década de 70, como muitos preconizam. O que acontece é que o termo didática foi demonizado, pois é entendido atualmente como sinônimo de “aula autoritária”, “professor orador”, “alunos enfileirados”, ou resumindo, escola como aparelho do Estado na reprodução da ditadura militar. É justo execrarmos a ditadura militar, mas devemos ter cuidado. Ao jogar fora a água suja da banheira, estamos jogando junto o bebê. Nada mais injusto a Comenius e todos aqueles que se debruçaram sobre a didática, a sistematização da prática pedagógica, a questão central da própria pedagogia.
Qual o estado da arte da didática ? Ainda, segundo Oliveira (2009):
Com base em uma teoria educacional, a Didática indica diretrizes que orientam a atividade dos professores. Diferentes abordagens possuem concepções próprias sobre o processo de ensino e aprendizagem, sobre as finalidades da educação, o papel da escola, o papel do professor, o papel do conhecimento, o ensinar e o aprender, sobre o papel dos pais e da comunidade.
Portanto, Para se estabelecer um método didático eficiente é preciso primeiramente que estejam bem definidos teoricamente os papéis sociais dos atores envolvidos: o papel da escola, o papel da educação, o papel dos professores, dos pais, do Estado, da comunidade e principalmente o papel dos alunos. Ora, estes papéis nunca estiveram tão indefinidos em nossa sociedade, pois estamos passando por uma revolução tecnológica sem precedentes, principalmente no campo da comunicação e informação e com o surgimento da pós-modernidade, que estão tornando relativas as estruturas da sociedade industrial tal qual a conhecemos (família nuclear, separação entre público e privado, Estado de Direito, etc.).
Daí a enorme dificuldade em estabelecer teoricamente uma metodologia didática que pretenda ser ao mesmo tempo científica, prática e eficiente. Se temos múltiplas opiniões a respeito sobre o que ensinar, pra quem ensinar, por que ensinar, então como podemos pretender saber como ensinar ?
Nesse contexto fragmentado e relativizado, deve existir portanto, várias maneiras de ensinar, todas válidas; educação comunitária, dos múltiplos e diversos valores e tradições e inclusive a educação familiar, sem a escola ou mesmo sem a escrita.
Mas aí entra o problema da legitimidade, do reconhecimento e do valor social da instituição. Uma pessoa educada informalmente poderá cursar uma universidade ? Qual o critério de competência ? Esse diploma seria reconhecido ? Reconhecido por quem ? Ou a prática profissional desta pessoa também seria relativizada ? Se assim fosse, então qual seria o valor de um diploma ? E se o diploma tiver valor relativo, qual seria então a função e o valor social da escola ?